sábado, 7 de julho de 2007

Galeria Olido - Mosfilm Week

de 17 a 22
(Os filmes serão exibidos em película com legendas em português e suporte 35mm)
co-realização: MOSFILM
apoio: Consulado Geral da Rússia em São Paulo, Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo
O ciclo traz uma amostra de 14 filmes russos clássicos e contemporâneos produzidos pela MOSFILM - Empresa russa de fomento à atividade audiovisual.

Idade recomendada: 14 anos
retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão - Cine Olido
entrada franca

Mosfilm Companhia Cinematográfica

A Mosfilm é o maior estúdio de cinema da Rússia e um dos maiores da Europa. Com mais de oitenta anos de história, produziu cerca de 2500 filmes, muitos dos quais são considerados parte de uma "reserva dourada" da indústria cinematográfica mundial. Vários filmes obtiveram grande número de prêmios em festivais, inclusive três Oscar de melhor filme estrangeiro e um de melhor documentário, além do reconhecimento de milhões de espectadores, tanto na Rússia quanto no exterior. Os mais importantes diretores russos fizeram suas obras-primas na Mosfilm: Sergei Eisenstein, Pudovkin, Mikhail Romm, Sergey Bondarchuk, Andrei Tarkovsky, Leonid Gaday, entre outros.
Hoje o estúdio cinematográfico da Mosfilm tem equipamentos modernos e de alta tecnologia. É uma empresa onde se realiza a maior parte da produção audiovisual russa (tem capacidade anual para 100 filmes). Produz, distribui e realiza trabalhos para cinema, vídeo e televisão, assim como disponibiliza serviços para todos os estágios do processo cinematográfico, do roteiro à cópia (filme) final.
Ao longo de sua trajetória criativa, a Mosfilm esteve envolvida em um imenso trabalho social: festivais de cinema, semanas de cinema russo em diversos países, encontros com representantes da indústria cinematográfica, russos e estrangeiros (em 2006, a Mosfilm participou de 29 eventos como esses). Mais de 60 países já receberam exibições da Mosfilm, tanto de mestres do cinema soviético quanto de filmes da nova geração.
Este ano a Mosfilm apresentará 14 filmes de sua coleção dourada ao público brasileiro. Assim, os espectadores poderão compreender melhor o cinema russo e as diferenças entre o cinema clássico e o contemporâneo. Há, na mostra, gêneros muito diversos: comédias, filmes de guerra, adaptações literárias, ficção científica e thrillers históricos, contando com famosos atores russos. Desde 1998 a Mosfilm é dirigida por Karen Shakhnazarov, que obteve relevantes prêmios e é membro das Academias de Cinema Russa e Européia. Seus filmes são mundialmente conhecidos.


Curadoria de Programação de Audiovisual - CCSP
Arnaldo Fernandes Jr




dia 17 - terça
17h
Nós somos do jazz

(Myu iz djzaza, We are jazzmen, Rússia, 1983, cor, 88min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Igor Sklyar, Alexander Pankratov-Chyorny, Nikolay Averyushkin, Pyotr Shcherbakov
Três músicos criaram um estilo de jazz muito pessoal. Após alguns incidentes, foram reunidos por um saxofonista. O grupo chega a Moscou com esperança de ser reconhecido pela crítica, público e formadores de opinião do jazz.

19h30
Stalker, o guia

(Stalker, Rússia, 1979, cor, 163min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Alexander Kaidanovsky, Alissa Freindlikh, Anatoly Solonitsyn, Nikolai Grinko
Ninguém sabe explicar o surgimento de uma Zona misteriosa no planeta. Apesar do perigo e do isolamento decretado pelo governo, as pessoas tentam entrar. Alguns marginais, conhecidos como "stalkers", sabem entrar e evitar as armadilhas dessa Zona.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 18 - quarta
17h
Espelho

(Zerkalo, The mirrow, Rússia, 1974, cor, 110min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Margarita Terekhova, Ignat Daniltsev, Larisa Tarkovskaya, Alla Demidova
O filme mostra a vida espiritual do homem contemporâneo e suas buscas morais e estéticas. É o mais autobiográfico trabalho de Tarkovsky.

19h30
O dia da lua cheia

(Den' palnaluniya, The day of full moon, Rússia,1998, cor, 93min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Anna Germ, Andrey Panin, Evgeny Stychkin, Elena Koreneva
Os protagonistas são russos da nova geração pós-URSS: um idoso, um matador bem sucedido, um DJ popular, uma princesa, um monge misterioso, um diplomata estrangeiro e um poeta. Todos têm uma forte e misteriosa ligação.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 19 - quinta
17h
Quando voam as cegonhas

(Letyat zhuravli, Cranes are flying, Rússia, 1957, P&B, 97min)
direção: Mikhail Kalatozov
elenco: Tatiana Samoylova, Alexei Batalov, Vassily Merkuriev, Alexander Shvorin
História de um amor que nem a guerra conseguiu apagar. O filme é baseado na peça Vivo para sempre, de V. Morózova.

19h30
Anna Karenina

(Anna Karenina, Rússia, 1967, cor, 145min)
direção: Alexander Zarkhi
elenco: Tatiana Samoylova, Nikolay Gritsenko, Vassily Lanovoy, Yury Yakovlev
Trágica história de amor e infidelidade. Anna Karenina acredita ser impossível renunciar aos seus sentimentos. Rejeita a moral da sociedade e tenta defender o seu direito de amar. Baseado no romance homônimo do escritor russo Leon Tolstoi.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 20 - sexta
17h
A prisioneira do Cáucaso

(Kavkazskaia plennitza, Kidnapping Caucausian style, Rússia, 1966, cor, 90min)
direção: Leonid Gaidai Yakov
elenco: Natalia Varléy, Aleksandr Demianênko, Yuri Nikúlin, Gueorgui Vítsin
Pai seqüestra filha para casá-la com um velho. A jovem, ao mesmo tempo, apaixona-se por um rapaz que tenta livrá-la desse casamento arranjado.

19h30
Cidade zero

(Gorod zero, The town of zero, Rússia, 1988, cor, 97min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Oleg Basilashvili, Leonid Filatov, Vladimir Menshov, Armen Dzhigarkhanyan
Em plena era da Perestroika, um engenheiro chega a uma cidade soviética para inspecionar uma fábrica e encontra uma secretária nua, um cozinheiro suicida e outras situações absurdas.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 21 - sábado
17h
O cavaleiro chamado morte

(Vsadnik pó imeni smert',The rider named death, Rússia, 2004, cor, 104min)
direção: Karen Shakhnazarov
O elenco do filme traz: Andrei Panin, Ksenia Rappoport, Artyom Semakin, Rostilav Berschaver
No começo do século 20 a Rússia foi chocada por uma série de assassinatos a sangue-frio. Os crimes foram atribuídos à "organização de combate", grupo revolucionário socialista e terrorista que tinha como objetivo assassinar o duque Sergey Aleksandrovich.

19h30
Agonia
(Agônia, Agony-Rasputin, Rússia, 1974, cor, 148min)
direção: Elem Klimov
elenco: Velta Line, Alisa Frejndlikh, Anatoly Romashin, Alexey Petrenko
No começo do século, enquanto milhares de camponeses morriam na Rússia, durante a guerra com a Alemanha, o Czar e sua corte viviam luxuosamente. O filme traz detalhes da vida do monge Rasputin, que explora o misticismo da corte levando-a ao fanatismo.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 22 - domingo
15h
Amor cigano

(Tabor urrodit v nebo, Gypsies are found near heaven, Rússia, 1976, cor, 101min)
direção: Emil Lotyanu
elenco: Svetlana Toma, Grigory Grigoriu, Ion Shkurya, Pavel Andreychenko
Um ladrão de cavalo pede a bela Rada em casamento. Ela só aceitará se ele se ajoelhar publicamente. O vaidoso cigano concorda, mas, ao mesmo tempo, não pode resignar-se com tanta humilhação.

17h30
A estrela

(Zvezda, The star, Rússia, 2002, cor, 97min)
direção: Nikolay Lebedev
elenco: Igor Petrenko, Artem Semakin, Alexey Panin, Alexey Kravchenko
No verão de 1944 o exército nazista prepara uma divisão para uma ofensiva na Rússia. Em resposta, os russos enviam um grupo de sete atiradores para uma operação contra-ofensiva atrás das linhas inimigas.



Fonte = http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_olido_cinema.asp

Obs: Há mostra será exibida em dois locais, no CCSP e no Cine Olido, ou seja, não há desculpas para perder os filmes, são gratuítos e se você não puder assistir em um cinema, poderá assistir em outro.

Centro Cultural São Paulo - Mosfilm week

de 17 a 22

co-realização: MOSFILM
apoio: Consulado Geral da Rússia em São Paulo, Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo
(Os filmes serão exibidos em película com legendas em português e suporte 35mm)
O ciclo traz uma amostra de 14 filmes russos clássicos e contemporâneos produzidos pela MOSFILM, empresa russa de fomento à atividade audiovisual.


Idade recomendada: 14 anos
retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão
Sala Lima Barreto - entrada franca

dia 17 - terça
16h
Abertura do oficial do evento
com: Karen Georgievich Shakhnazarov, diretor geral da Mosfilm

O cavaleiro chamado morte
(Vsadnik pó imeni smert',The rider named death, Rússia, 2004, cor, 104min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco:Andrei Panin, Ksenia Rapport, Artyom Semakin, Rostilav Berschaver
No começo do século 20 a Rússia foi chocada por uma série de assassinatos a sangue-frio. Os crimes foram atribuídos à "organização de combate", grupo revolucionário socialista e terrorista que tinha como objetivo assassinar o duque
Sergey Aleksandrovich.

18h
Quando voam as cegonhas
(Letyat zhuravli, Cranes are flying, Rússia, 1957, P&B, 97min)
direção: Mikhail Kalatozov
elenco: Tatiana Samoylova, Alexei Batalov, Vassily Merkuriev, Alexander Shvorin
História de um amor que nem a guerra conseguiu apagar. O filme é baseado na peça Vivo para sempre, de V. Morózova.

20h
Anna Karenina
(Anna Karenina, Rússia, 1967, cor, 145min)
direção: Alexander Zarkhi
elenco: Tatiana Samoylova, Nikolay Gritsenko, Vassily Lanovoy, Yury Yakovlev
Trágica história de amor e infidelidade. Anna Karenina acredita ser impossível renunciar aos seus sentimentos. Rejeita a moral da sociedade e tenta defender o seu direito de amar.
Baseado no romance homônimo do escritor russo Leon Tolstoi.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 18 - quarta
16h
Tchaikovsky
(Rússia, 1969, cor, 157min)
direção: Igor Talankin
elenco: Innokenty Smoktunovsky, Antonina Shuranova, Yevgheny Leonov,
Maya Plisetskaya
Passagens da infância e os últimos vinte anos da vida do compositor com sua guardiã e protetora, a Baronesa Von Meck. Fragmentos de suas óperas e balés, executados pelos melhores músicos russos, também são registrados no filme.

18h40
A prisioneira do Cáucaso
(Kavkazskaia plennitsa, Kidnapping Caucausian style, Rússia, 1966, cor, 90min)
direção: Leonid Gaidai Yakov
elenco: Natalia Varléy, Aleksandr Demianênko, Yuri Nikúlin, Gueorgui Vítsin
Pai seqüestra filha para casá-la com um velho. A jovem, ao mesmo tempo, apaixona-se por um rapaz que tenta livrá-la desse casamento arranjado.

20h30
Debate
Cinema russo - Mosfilm week
com: Karen Georgievich Shakhnazarov (escritor, cineasta e produtor) - mediadora: Natalia Kuznetsova (atriz, roteirista e produtora)
Ver programação de Debates e palestras

Nós somos do jazz
(Myu iz djzaza, We are jazzmen, Rússia, 1983, cor, 88min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Igor Sklyar, Alexander Pankratov-Chyorny, Nikolay Averyushkin, Pyotr Shcherbakov
Três músicos criaram um estilo de jazz muito pessoal. Após alguns incidentes, foram reunidos por um saxofonista. O grupo chega a Moscou com esperança de ser reconhecido pela crítica, público e formadores de opinião do jazz.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 19 - quinta
16h
Cidade zero
(Gorod zero, The town of zero, Rússia, 1988, cor, 97min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Oleg Basilashvili, Leonid Filatov, Vladimir Menshov, Armen Dzhigarkhanyan
Em plena era da Perestroika, um engenheiro chega a uma cidade soviética para inspecionar uma fábrica e encontra uma secretária nua, um cozinheiro suicida e outras situações absurdas.

18h
Agonia
(Agônia, Agony-Rasputin, Rússia, 1974, cor, 148min)
direção: Elem Klimov
elenco: Velta Line, Alisa Frejndlikh, Anatoly Romashin, Alexey Petrenko
No começo do século, enquanto milhares de camponeses morriam na Rússia, durante a guerra com a Alemanha, o Czar e sua corte viviam luxuosamente. O filme traz detalhes da vida do monge Rasputin, que explora o misticismo da corte levando-a ao fanatismo.

21h30
Espelho
(Zerkalo, The mirrow, Rússia, 1974, cor, 110min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Margarita Terekhova, Ignat Daniltsev, Larisa Tarkovskaya, Alla Demidova
O filme mostra a vida espiritual do homem contemporâneo e suas buscas morais e estéticas. É o mais autobiográfico trabalho de Tarkovsky.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 20 - sexta
16h
O dia da lua cheia
(Den' palnaluniya, The day of full moon, Rússia,1998, cor, 93min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Anna Germ, Andrey Panin, Evgeny Stychkin, Elena Koreneva
Os protagonistas são russos da nova geração pós-URSS: um idoso, um matador bem sucedido, um DJ popular, uma princesa, um monge misterioso, um diplomata estrangeiro e um poeta. Todos têm uma forte e misteriosa ligação.

18h
Amor cigano
(Tabor urrodit v nebo, Gypsies are found near heaven, Rússia, 1976, cor, 101min)
direção: Emil Lotyanu
elenco: Svetlana Toma, Grigory Grigoriu, Ion Shkurya, Pavel Andreychenko
Um ladrão de cavalo pede a bela Rada em casamento. Ela só aceitará se ele se ajoelhar publicamente. O vaidoso cigano concorda, mas, ao mesmo tempo, não pode resignar-se com tanta humilhação.

20h
Stalker, o guia
(Stalker, Rússia, 1979, cor, 163min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Alexander Kaidanovsky, Alissa Freindlikh, Anatoly Solonitsyn, Nikolai Grinko
Ninguém sabe explicar o surgimento de "Zona", misterioso lugar do planeta. Apesar do perigo e do isolamento decretado pelo governo, as pessoas tentam entrar. Alguns marginais, conhecidos como "stalkers", sabem entrar e evitar as armadilhas dessa Zona.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 21 - sábado
16h
A estrela
(Zvezda, The star, Rússia, 2002, cor, 97min)
direção: Nikolay Lebedev
elenco: Igor Petrenko, Artem Semakin, Alexey Panin, Alexey Kravchenko
No verão de 1944 o exército nazista prepara uma divisão para uma ofensiva na Rússia. Em resposta, os russos enviam um grupo de sete atiradores para uma operação contra-ofensiva atrás das linhas inimigas. Mas isso terá um custo alto.

18h
Andrei Rublev
(Andrei Rublev, Rússia, 1966, cor/P&B, 205min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Anatoly Solonitsin, Ivan Lapikov, Nikolai Grinko, Yuri Nazarov
Andrei Rublev é um pintor de ícones na Rússia do início do século 15. Foi encarregado de pintar as paredes da Catedral da Anunciação, no Kremlim. Ele trabalha sob a direção do mestre grego Téofanes, que é atormentado pela crueldade da época e que atribui à ira do céu. Já Rublev acredita no livre arbítrio.

21h30
Anna Karenina
(Anna Karenina, Rússia, 1967, cor, 145min)
direção: Alexander Zarkhi
elenco: Tatiana Samoylova, Nikolay Gritsenko, Vassily Lanovoy, Yury Yakovlev
Trágica história de amor e infidelidade. Anna Karenina acredita ser impossível renunciar aos seus sentimentos. Rejeita a moral da sociedade e tenta defender o seu direito de amar.
Baseado no romance homônimo do escritor russo Leon Tolstoi.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dia 22 - domingo
16h
Nós somos do jazz
(Myu iz djzaza, We are jazzmen, Rússia, 1983, cor, 88min)
direção: Karen Shakhnazarov
elenco: Igor Sklyar, Alexander Pankratov-Chyorny, Nikolay Averyushkin, Pyotr Shcherbakov
Três músicos criaram um estilo de jazz muito pessoal. Após alguns incidentes, foram reunidos por um saxofonista. O grupo chega a Moscou com esperança de ser reconhecido pela crítica, público e formadores de opinião do jazz.

18h
A prisioneira do Cáucaso

(Kavkazskaia plennitsa, Kidnapping Caucausian style, Rússia, 1971, cor, 90min)
direção: Leonid Gaidai Yakov
elenco: Natalia Varléy, Aleksandr Demianênko, Yuri Nikúlin, Gueorgui Vítsin
Pai seqüestra filha para casá-la com um velho. A jovem, ao mesmo tempo, apaixona-se por um rapaz que tenta livrá-la desse casamento arranjado.

20h
Andrei Rublev

(Andrei Rublev, Rússia, 1966, cor/P&B, 205min)
direção: Andrei Tarkovsky
elenco: Anatoly Solonitsin, Ivan Lapikov, Nikolai Grinko, Yuri Nazarov
Andrei Rublev é um pintor de ícones na Rússia do início do século 15. Foi encarregado de pintar as paredes da Catedral da Anunciação, no Kremlim. Ele trabalha sob a direção do mestre grego Téofanes, que é atormentado pela crueldade da época e que atribui à ira do céu. Já Rublev acredita no livre arbítrio.

http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp

Vejo vocês por lá.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Sobre os Cinemas

Gostaria de discutir aqui algumas questões acerca da produção cinematográfica em nossos dias, sobretudo no Brasil. Não tenho a pretensão de realizar uma análise audaciosa e inovadora, pois, além da complexidade que lhe é particular, o cinema é uma arte em constante transformação. A passagem dos meios analógicos para o digital tem consumido neurônios de muitos críticos, técnicos e artistas ligados ao cinema e as artes audiovisuais. Porém, embora o assunto que quero discutir seja anterior às estas transformações técnicas ele não deixa de ser pertinente aos novos meios de produção digital, pois, mesmo sendo estes mais baratos, ainda requerem pesados investimentos materiais e profissionais. Deste modo, gostaria de discutir sobre os meios de financiamento, produção e distribuição audiovisual no Brasil, principalmente, no caso do cinema.

Não é um exagero afirmar que o cinema deva ser considerado uma gigantesca indústria, dependente de vários setores de produção diferentes e que conta com uma complexa divisão do trabalho. O cinema é caro e para que se realize, uma série de recursos devem ser direcionados para sua produção. Isso se dá em qualquer lugar do mundo, e mesmo um cinema marginal, independente, financiado com poucos recursos, mesmo este, ainda é restrito a grupos muito seletos - isto por que estou falando apenas da produção, nem entrando no méro, nem entrando no mfalando apenas de produço ainda requer investimento material e profissionalito de questões tais como distribuição. Além do mais, os recursos aos quais me refiro não são apenas materiais como, em coro, os cineastas brasileiros gostam de afirmar, nosso cinema não carece apenas de dinheiro, há uma carência de artistas e técnicos competentes e originais. Creio eu que os resultados das bilheterias dos filmes nacionais talvez sejam um ótimo demonstrativo que venham a corroborar muito bem o que estou falando, nosso cinema não esbanja sensibilidade e empatia no que diz respeito à formação e a relação com o público.

Outro aspecto, e este carece sem dúvidas de estudos e reflexões mais aprofundadas, é uma questão levantada em uma discussão entre amigos, o brasileiro realmente gosta de cinema? Qual o nível da relação do brasileiro com esta arte tão industrial? Vamos partir do princípio que exista sim um público para o cinema no Brasil e meu principal argumento para a existência deste público são os próprios dados das bilheterias dos cinemas brasileiros. Embora não tenham uma relação muito forte com o cinema, como os norte-americanos, há sim um público e ele vai ao cinema, e vai, sobretudo, para ver filmes estrangeiros.

Tendo feitos estas considerações, vamos para outros pontos. Uma vez que no Brasil o cinema é carente de pesados investimentos financeiros e humanos, e que esta produção não consegue atingir seu público, temos um problema gravíssimo, afinal de contas esta produção deve ser custeada por alguém, alguém que legitime a produção e a financie, assim, qual tipo de produção deveria ser priorizado?

Há muita discussão acerca da superioridade dos filmes de autores e/ou de arte, de um cinema experimental sobre filmes destinados a um amplo público, ou vice versa. Esta discussão para mim é tola, deve-se entender a inutilidade de afirmações categóricas sobre qual é melhor ou pior. Pois aquele cria, inventa, é dinâmico enquanto este último assimila, reproduz e sintetiza as inovações das vanguardas experimentais tornando-as assimiláveis para o grande público.

Acredito que seja um grande risco para a arte cinematográfica, assim como para qualquer outra, que as diretrizes para financiamento privilegiem uma ou outra tendência ou estilo, pois acredito que estas possam ser solidárias entre si e que possa existir um equilíbrio entres os diversos tipos de produção.

Portanto, pretendo discorrer sobre dois modelos econômicos que conseguiram este equilíbrio, principalmente no que tange à diversificação de sua produção. O que mais me espanta é que os dois sistemas encontram-se em modelos econômicos diametralmente opostos, o do capitalismo norte americano e o de economia planificada do regime socialista soviético.


Dois sistemas de produção – o norte americano e o soviético

A URSS aparece na história como a maior experiência socialista da história, entendendo isso no plano econômico, pode-se afirmar que numa economia socialista, que visa uma organização total da vida econômica pelo estado, este é transformado em principal proprietário dos meios de produção e detentor do julgamento último do que e em que escala deve ser produzido. No caso do regime soviético e de sua produção cinematográfica, este teve grandes méritos, pois fora na URSS que cineastas do porte de Eisenstein, Vertov e Tarkovsky surgiram e tiveram recursos diversos para realizarem verdadeiras obras primas como: Andrey Rublev, Stalker, O Espelho, Solaris, Um Homem com uma Câmera, Encouraçado Potenkim, entre tantos outros que se tornaram filmes absolutamente relevantes para a história do cinema mundial. Mesmo alguns destes cineastas tendo sérias divergências em relação ao Partido Comunista e ao estado soviético suas obras se realizaram e hoje gozam de um status único influenciando, inclusive, diretores que atuam ou já atuaram junto à grande indústria cinematográfica hollywoodiana. É importante lembrar que me refiro apenas ao cinema, não levando em consideração as influências que alguns artistas soviéticos exerceram em outros campos, como o caso de Yuri Norstein, cuja animação “O Conto dos Contos” foi aclamada como a melhor animação de todos os tempos pela própria crítica norte-americana.

As obras destes autores se consolidaram, mesmo muitas tendo sido censuradas e colocadas no index do regime. O surpreendente é que dentre estas obras censuradas há uma pequena parte disso tudo que o ocidente só agora, depois da Perestroika e Glasnost ou devido a contrabando por parte de alguns burocratas corruptos e artistas envolvidos em contrabando de obras de arte, está tendo acesso, como no caso de alguns filmes de Sokurov e Paradjanov[1] - sendo estes dois autores o caso de cineastas que conseguiram uma certa repercussão no ocidente tendo seu reconhecimento limitado apenas pelo desconhecimento do grande público, no entanto, gozando de grande apreço por parte de muitos cineastas e estudiosos das mais variadas áreas. Logo, imaginem quantos outros artistas tiveram seus trabalhos censurados depois de produzidos e que hoje encontram-se no mais completo desconhecimento perdidos em estantes empoeiradas de porões empoeirados, esperando ansiosamente por pesquisadores dispostos a enfrentarem o mofo e a má vontade de burocratas? Imaginem que existam muitos filmes censurados e guardados nos acervos dos institutos e faculdades de cinema na Rússia e que apenas poucas pessoas tiveram acesso por décadas! Imaginem quando este material finalmente for liberado e distribuído? Que patrimônio artístico cultural incalculável deve conter este acervo.

Porém, independente da grande quantidade de obras proibidas, a produção cinematográfica russa oficial é das mais vastas imagináveis, podendo os pesquisadores da área defrontarem-se com materiais dos mais variados continuamente, há muito a ser visto e estudado, digo isso não só na área do cinema ficcional, mas também como em animação e documentários. O centralismo intervencionista soviético soube compreender o significado do cinema e da importância do investimento no mesmo, e mesmo depois de financiar obras que seriam posteriormente censuradas teve a sensibilidade de não destruir o material produzido e guardando-o à posteridade.

Assim, ressalto que não se trata apenas de fazer críticas ao regime soviético, não pretendo aqui delongar sobre os problemas políticos e econômicos inerentes a este regime autoritário e aos custos de seu desenvolvimento em vários campos estéticos e técnicos, a propósito, cineastas com Tarkovsky, Paradjanov e Sokurov faziam este enfrentamento e já antes deles, muitos escritores e poetas foram fuzilados, presos e deixados morrer de fome em campos de trabalhos perdidos entre a neve, como o caso de Isaac Babel e Goumilev. Fiz questão de inserir este parágrafo, pois pode parecer que eu seja um entusiasta do regime e quero deixar bem claro que não se trata disso, o que me impressiona é como a máquina estatal soviética funcionava com energia e eficiência. Para compreendermos a vitalidade desta produção, imagine que na URSS era praticamente impensável a existência de um cinema marginal e/ou independente, o estado soviético abarcava toda a produção audiovisual!

No campo antagonicamente oposto, encontramos o modelo de produção norte americano. Cabe lembrar que não pretendo analisar qual é o melhor, reafirmo, não se trata de discutir ideologias, quero aqui entender como estes sistemas atingiram seus fins, realizando uma vasta e importante produção cinematográfica. O modelo dos EUA se pauta no consumo, e como o cinema é caro, ele deve financiar a si próprio e ainda gerar lucros e, assim sendo, poucos podem afirmar que o modelo norte americano seja um fracasso. Se a indústria norte americana hoje enfrenta uma crise, esta se deve muito mais às radicais transformações técnicas que nossos dias têm presenciado do que necessariamente pela forma como sua indústria se organiza.

No caso dos EUA, que é responsável por grande parte da produção cinematográfica no ocidente, encontramos uma indústria cinematográfica altamente competitiva, rentável e, por conseguinte, diversificada, com produções para todos os públicos, desde um filme como “Comando para Matar” e os diversos “Rambos” e “Homens Aranhas” até obras de diretores consagrados e respeitados mundialmente como Kubrick, Hitchcock, Scorsese, Coppola, Oliver Stone, David Lynch, Robert Altman, Orson Welles e John Cassavetes, entre tantos outros. Neste modelo, é o consumidor que legitima a produção consumindo-a, prestigiando e consequentemente a financiando. Este mecanismo possui seus aspectos negativos, pois muito da produção pode ficar sujeita a interesses particulares e concepções estéticas de pessoas que muitas vezes não possuem a menor noção de cinema e da sua história e mutilam trabalhos artísticos autênticos em função de interesses mercadológicos. No entanto, isso não acontece apenas em economias de mercado! Um dos casos mais absurdos de deturpação histórica e utilização do cinema para mera propaganda que conheço no cinema se dá no filme “Alexander Nevsky” de Eisenstein, este que nos apresenta um príncipe medieval russo como um ateu materialista do século XIX, a religiosidade russa é simplesmente apagada da história de seu povo. Estou falando de cinema feito por encomenda ideológica. Talvez, Eisenstein tenha sido o primeiro publicitário a utilizar-se do cinema como meio de propaganda. Poderia enumerar muitos outros casos na antiga URRS, mas vou abandonar aqui minha truculência com os mesmos, vou dar outro exemplo famoso, talvez um doa mais famosos da história do cinema, o caso de um dos maiores clássicos do neo-expressionismo alemão, o filme “Gabinete do Dr. Caligari”, que apenas uma alteração em sua introdução e final do filme pervertem totalmente o sentido do roteiro.[2]

Cito estes exemplos com a intencionalidade de dizer que o cinema deixa de ter valor enquanto produto em si e ganha caráter meramente político em um caso, ou publicitário em outro. Ele é destituído de sua essência reflexiva e deixa de ser uma obra de arte ou uma mercadoria cujo fim último não é ele próprio. Não que ele não comporte em si próprio um caráter político e econômico e que não seja um produto, entretanto, estas qualidades são imanentes à obra. Sou declaradamente contra politizar a arte, pois esta, por si própria já possui este caráter. Se existe a intencionalidade de dar um caráter político a algo que já possua em seu âmago esta essência, sentimos algo estranho, que não se ajusta, pois percebemos uma saturação de sentido que extrapola a obra e a empobrece, daí o panfletarismo. Se quisermos transformar o cinema em panfleto político, podemos entrar em uma séria contradição terrível, uma vez que os meios de sua produção dizem uma coisa enquanto seu conteúdo outro! Por outro lado, se a intenção for meramente um produto a ser vendido, ele pode carecer de alma e com isso acarretar enormes prejuízos ao seu produtor.

Voltando à questão da legitimação pelo consumidor, cabe lembrar que no sistema soviético, as coisas não se dão de modo diferente do modo como se dá em economias de mercado, é o “público”, ou o status quo que irá legitimar o que é ou não produzido com os recursos oriundos do seu trabalho. Um trecho das correspondências remetidas a Tarkovsky por um espectador que acabara de assistir ao “O Espelho” demonstra as opiniões que alguns “consumidores” de cinema soviético possuíam com os autores e com o estado financiador:

“Que vulgaridade, que porcaria! Bah, que revoltante! De qualquer forma, creio que seu filme não irá mesmo fazer sucesso. Com toda a certeza, não conseguiu mesmo atingir seu público, e, afinal, é isso o que importa.”... “É de admirar que as pessoas responsáveis pela distribuição dos filmes aqui na União Soviética deixem passar tais disparates”[3]

Assim, a despeito das ideologias, do gigantismo soviético, ou da transformação do cinema em mercadoria, tão comum nas chamadas economias de mercado e de capitalismo avançado, podemos afirmar que em ambas existem mecanismos de seleção para a produção e distribuição, que não eram e não são arbitrários, estando estes mecanismos geralmente ligados ao público que irá legitimar ou não uma produção e que qualquer tentativa de enganar o público será sentida imediatamente. Porém, a grande dificuldade é quando se trata de um problema muito complexo, quando o experimentalismo, nem sempre agradável e de fácil assimilação deve ser financiado com dinheiro alheio.


CINEMA DE VANGUARDA OU EXPERIMENTAL E CINEMA PARA O GRANDE PÚBLICO.

Tenho a leve impressão de que quando fiz a crítica há alguns parágrafos acerca do filme “Alexander Nevsky”, alguns dos que leram este texto podem ter torcido o nariz ou franzido ou olhos e terem me chamado de idiota. Definitivamente, não pretendo colocar o nome Eisenstein junto a uma enormidade de nomes medíocres e inexpressivos, seu nome deve ser lembrado, Eisenstein tem seu lugar na história do cinema e este lugar é único. Considero seu cinema um dos pilares do grande cinema soviético, porém, acredito que suas contribuições sejam de natureza técnica. Tenho a convicção de que as deformações da história feitas por ele cheguem a ser criminosas e que possuindo um caráter altamente ordinário não possam se inserir em uma concepção de arte cuja finalidade seja um pouco mais nobre a vá ao sentido de possibilitar àquele que entra em contato com sua obra uma reflexão acerca de si próprio e de seu mundo. Por estes e outros motivos acredito que Eisenstein deva ser devidamente lembrado, e, como já disse, talvez ele tenha sido o precursor do uso do cinema como instrumento de propaganda.

Fiz questão de começar a discussão sobre os cinemas de vanguarda, experimental ou de autor e aquele feito para o grande público falando sobre este grande publicitário que foi Eisenstein, afinal, qual estudante de cinema não se viu confrontado em um momento ou outro com este cineasta? Orson Welles, Glauber Rocha, Buñuel e Tarkovsky, os participantes do Neo-realismo italiano e até mesmo cineastas do Reich reconheceram o talento de Eisenstein, as inovações técnicas encontradas pelo mesmo e sua “montagem dialética” foram transformadoras demais para serem deixadas de lado, assim como Griffith, - injustamente menos citado neste texto -, o cinema não poderia ser o mesmo depois do trabalho destes dois gênios.

Mas não é esta a discussão que quero desenvolver, quero perguntar o que seria do cinema e da grande indústria cinematográfica sem estes grandes criadores e das gerações que se originaram deles? Seria um disparate dizer que a história do cinema poderia não ter sido tão rica - rica nos dois sentidos – sem a contribuição destas figuras tão díspares? Será que o cinema teria sido um produto tão rentável, em todos os aspectos, simbólico e econômico sem estas vanguardas criativas? Talvez seja justamente neste ponto que estejamos enfrentando uma crise na indústria cinematográfica.

Então, retornamos ao final do subtítulo anterior, se nos restringirmos às vontades e desejos do grande público, o cinema, ou qualquer tipo de arte que requeira médios e grandes investimentos, pode entrar em um complicado estado de estagnação. Imaginem a situação e desculpem-me a brincadeira, imaginem se eu fosse responsável em censurar ou liberar recursos para uma produção de Eisenstein? Conseguem imaginar o crime que eu poderia cometer contra a técnica cinematográfica? Ou imaginem que o engenheiro anteriormente citado por ter escrito uma carta a Tarkovsky tivesse razão e os “disparate” chamado O Espelho não tivesse sequer sido produzido? Ou se, em outro contexto, os filmes, por exemplo, de Peter Greenaway e Buñuel, que não gozam de grande público[4], não tivessem sido produzidos em função do público relativamente pequeno dos mesmos?

Muito do que estes autores fizeram alimentou e influenciou tudo que foi realizado na indústria do cinema, seja ela capitalista ou de economia planificada. Assim, uma política de produção de filmes deve levar em conta que é necessário, assim como pesquisas em tecnologia, desenvolver e financiar experiências, o cinema de autor deve receber subsídios a qualquer custo se o cinema quiser continuar gozando de seu status, como arte, como instrumento de propaganda ou educação ou/e como mercadoria.


O caso brasileiro

O vulgo Cinema brasileiro tem-se mostrado, em minha opinião, um fracasso. Neste ponto, façamos um pequeno recuo, voltando às diferenças entre o regime soviético de Estado e os de livre mercado, se o fizermos, perceberemos que no nosso caso existe uma mescla destes dois modelos, o Estado e a iniciativa privada acabam interferindo na realização dos trabalhos, um mecanismo dúbio, que trás em seu bojo o lado negativo dos dois modelos, isto tem sido nocivo, porque se tem criado um cinema comprometido tanto política quanto economicamente e isso é ruim, pois acredito que destitui do cinema a sua verve artística, da liberdade que o artista precisa para poder criar. Não é por menos que os filmes brasileiros são uns fracassos de bilheteria e de prêmios em festivais. Estes dois tipos de financiamento intervencionistas são nocivos e é conseqüência de um jogo perverso onde não há capital próprio para a produção cinematográfica. Não há no Brasil algo como uma indústria, e o que há é insignificante e incapaz de gerir, financiar, produzir e distribuir seu produto de forma autônoma. Neste contexto que surgem grupos formados por profissionais e técnicos de cinema que especializados em negociar tanto com o estado e com alguns capitais privados oferecendo em troca roteiros repetitivos e sem criatividade nenhuma, roteiros que os financiadores tanto querem ver concretizados, seja para propagandear a miséria brasileira, que por sua vez legitimará um estado cada vez mais forte, ou para oferecer produtos e modismos nefastos, dos quais grande parte da indústria atual tira seus lucros.

Ou seja, o cinema feito no Brasil tem um outro público e este não é aquele que vai às salas de exibição e sim aqueles que financiam os filmes e, que em alguns casos, jamais irão vê-los.

Deste modo, creio ser fundamental a articulação entre aquilo que chamo de aspectos positivos dos dois modelos, ou seja, pesados investimentos do estado na formação de cineastas e produção de filmes dos mais variados e a facilitação para a construção de uma indústria cinematográfica brasileira, e que o estado descarte o intervencionismo nas obras produzidas, estas por si próprias trarão em sua “essência” as marcas de como e o contexto em que foram realizadas. Quanto ao capital privado no Brasil, este deveria adquirir a consciência de que o cinema, o filme, é por si só um produto e não apenas um meio para se vender produtos, pois se assim não o for, podemos ficar soterrados por uma produção pobre, sem conteúdo, afetada, repetitiva, pedante e pretensiosa, comprometida ora em fazer discursos ideológicos, ora em vender cerveja.

Devo finalizar afirmando que não se deve abrir mão da criação genuína e do experimentalismo necessário para a criação de novos paradigmas, estes que por sua vez alimentarão a produção cinematográfica com o novo, o novo tão desejado pelo grande público que consome, consome e consome.



[1] Existe algum material audiovisual de Paradjanov na internet (Um dos quais disponibilizo logo abaixo) e tudo indica que o material censurado pelo estado soviético que hoje é encontrado na web sejam trabalhos que tenham sido contrabandeados e vendidos para ricos colecionadores nos EUA e na Europa. Ainda mais, segundo Bóris Schnaiderman, o próprio Paradjanov fora condenado a quinze anos de prisão tendo sido acusado por envolvimento com “negócios fraudulentos” com obras de arte. Para quem tiver interesse; Bóris Schnaiderman, Os Escombros e o Mito, A Cultura e o Fim da União Soviética. Cia. das Letras.1997.

[2] Não quero aqui entrar no mérito desta antiga e clássica discussão, para quem se interessar pelo assunto pode buscar saber mais no livro de Siegfried Kracauer, De Caligari a Hitler. RJ, zahar, 1990.

[3] Andrei Tarkovsky, Esculpir o Tempo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

[4] Quando digo grande público penso em campeões de bilheteria que levam milhões de pessoas ao cinema e não autores que são apreciados apenas em alguns segmentos sociais, como, em minha opinião, são os autores citados.

__________________________________________

Segue parte do curta de Paradjanov, Hagop Hovbatanian.