domingo, 11 de maio de 2008

Quando a Arte é oxigênio.







O cineasta (“O Maior”, segundo Ingmar Bergman) premiado em Cannes com “O Sacrifício” fala do Exílio e da arte na URSS.


O nome de Andrei Tarkóvski certamente não diz muita coisa para o grande público. Sabe-se dele, por conta do prêmio de júri em Cannes para o seu filme “O Sacrifício, que é u m cineasta russo dissidente em luta contra o câncer. Para Ingmar Bergman ele é ‘o maior, o que inventou uma nova linguagem, bem de acordo com a natureza do cinema, já que captura a vida como um reflexo, como um sonho”. No Brasil, os cinéfilos conhecem pelo menos dois trabalhos de Tarkóvski, ambos próximos da ficção científica, mas sem o frenesi tecnológico que domina o gênero: Solaris também premiado pelo júri de Cannes em 1972 e que muitos viram como uma resposta do Leste ao 2001 de Stanley Kubrick; e Stalker , de 1979, que o público elegeu o melhor filme de recente Mostra Internacional de Cinema, no Museu de Arte de São Paulo.


Há quem, a exemplo de Bergman, considere Tarkóvski o maior cineasta russo vivo - um conceito reforçado pelo caráter de seus filmes, muito pessoais e poéticos, que não fazem concessões nem aos apelos de bilheteria fácil nem às imposições dos burocratas soviéticos. A vida, e tudo o que ela contém de contraditório e absurdo – é a matéria prima desse homem de cinema obcecado pela busca da beleza e do inesperado. Há um ano Andrei Tarkóvski optou pelo exílio e foi morar na Itália, onde já havia realizado um filme em 1983 – Nostalgia – a convite da RAI (Rádio e Televisão Italiana) e autorizado pelos burocratas soviéticos. O Sacrifício, premiado este ano em Cannes, foi filmado na Suécia, com apoio do Ministério da Cultura da França. Nesta entrevista à VISÃO, Andrei Tarkóvski explica as razões que o fizeram deixar a União Soviética.


Tarkóvski - Depois que Nostalgia ficou pronto e foi exibido em Cannes, escrevi uma carta às autoridades do cinema em Moscou e até ao Comitê Central do partido, e a Constantin Chernenko, que estava lá na ocasião, pedindo permissão para ficar trabalhando mais três anos no exterior e para que meu filho Andrei e minha sogra viajassem ao meu encontro - minha esposa já estava comigo. Durante este período eu faria um filme e depois voltaria para casa. Esperei anos por uma resposta.


Edelhajt – Sua decisão foi influenciada pelo desejo de trabalhar em condições melhores, livre de restrições e pressões a que estava sujeito?


Tarkóvski – Não, absolutamente. Não dependo de ninguém e sempre fiz os filmes do jeito que queria. Por isso, talvez, nunca fiquei rico com o cinema, o que para mim também não tem a menor importância. A minha decisão de não voltar à União Soviética não significa que eu considere o mundo e as idéias divididos em dois campos diferentes. Somente os idiotas fazem este tipo de distinção entre as pessoas do ocidente e as do Oriente.


Edelhajt - No filme “Nostalgia” há uma cena em que o poeta, questionado, declara com amargura: “E o que você sabe da Rússia? Você não sabe nada.” Esta é uma reação típica de alguém do Leste, principalmente da Rússia. Mas é, também, reveladora de todos os complexos que os Europeus do Leste têm em relação ao resto do mundo.


Tarkóvski – As palavras do poeta são minhas palavras. Quanto mais eu vivo no Ocidente, mais estou convencido, ainda que isso possa parecer ridículo; o que as pessoas sabem realmente da Rússia?


Edelhajt – “E o que as pessoas deveriam saber”?


Tarkóvski – Não sei. É algo que é preciso sentir. O que quero dizer é que, se a Rússia representa uma ameaça para o mundo hoje, também representa uma forma de esperança – e isso não tem nada a ver com a política nem com o comunismo. A esperança está na enorme força espiritual do povo russo, que desempenhará importante papel na evolução geral da civilização no futuro. E isso não tem nada a ver com nenhum processo político. É um fenômeno espiritual.


Edelhajt – As autoridades em Moscou nunca aceitaram seus filmes, quer pela sua forma, quer pelo seu conteúdo...


Tarkóvski – Mas não é por isso que meus filmes desagradam às autoridades. Elas percebiam que havia algo de fundamentalmente inaceitável em meus filmes, mas nunca puderam pôr as mãos neles. Sabe por quê? O que perturbava as autoridades soviéticas não era nem os conteúdos nem as idéias dos filmes, e sim o aspecto artístico em si. Elas recusam-se a aceitar que a arte em sua forma pura, possa existir. E o que torna a arte poderosa não são as idéias que ela transmite – as pessoas que acreditam nisso estão enganadas e são, em geral, visionárias. O que torna a arte poderosa é, exatamente, o fato de ser arte, a manifestação de um fenômeno indefinível que resiste às prescrições da vontade humana e dos sistemas sociais.


Edelhajt – Há dez anos o diretor soviético Boris Barnet suicidou-se e, depois, houve o caso de Sergei Paradzhanov (diretor de “Cavalos de Fogo”, exibido no Brasil), que passou anos na prisão. Casos como esses não são comuns no cinema russo?


Tarkóvski – Nesta vida, se paga por tudo o que se faz, depois de sair da prisão, Paradzhanov fez m filme e começou agora outro. Quanto ao suicídio de Barnet, respondo dizendo que também no Ocidente o número de suicidas não é desprezível. Portanto seria ingênuo tirar conclusões destes dois casos específicos ou tirar daí alguma teoria. Mas voltando a falar de arte, de cinema, observo que no ocidente a arte parece menos essencial do que é para nós. Aqui, somente o sucesso financeiro parece dar uma razão suficiente para viver. O que quero dizer é que na Rússia a vida sem alguma forma de consciência espiritual parece absolutamente impensável.


Edelhajt – Será esta uma das características das nações cujo povo não goza de liberdade individual? E, desculpe, não há nessa pergunta nenhum sentido pejorativo...


Tarkóvski – Não sei. Talvez.


Edelhajt – Na Rússia e estados vizinhos criam-se mitos e as pessoas aceitam com facilidade tudo o que possa compensar ou substituir as liberdades fundamentais que perderam...


Tarkóvski – Não é isso que eu queria dizer. Não estava pensando na arte oficial, aquela que é permitida. Estava pensando na arte em geral, no significado e na missão da arte. Em Leningrado, há um jovem diretor, Alexander Sokúrov, que é um verdadeiro gênio. Ele conseguiu concluir um filme que, normalmente, seria condenado a nunca ver a luz do dia e sequer a ser filmado. Terminada a montagem, as autoridades, suspeitando que o filme não fosse adequado à exibição pública, exigiram uma cópia. Sokúrov recusou e ameaçou pular da janela junto com a cópia caso elas tentassem obtê-la pela força. As autoridades propuseram então que o filme fosse exibido normalmente e ele aceitou. Resultado: Sokúrov nunca mais viu a cópia do seu filme. Com isso quero dizer o seguinte: aqui, no Ocidente, a arte é um prazer; lá, é oxigênio.



Observações: Bem, aqui vai mais uma entrevista do Andrei Tarkóvski. Eu tirei esta entrevista do livro do CEDUC Vídeo 101, um volume específico sobre o Stalker do cineasta em questão. Este livro encontra-se na Biblioteca da PUC/SP. Esta entrevista, originalmente, fora publicada na revista VISÃO de 18/06/1986.

Ao som de Art Davis – Add.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mostra: Eterno Enquanto Durou

de 05 a 16 de maio


Não se sabe bem quando, nem onde tudo começou, talvez Freud explique, mas fato é que desde os tempos mais remotos uma das grandes preocupações do Homem é a de encontrar um alguém, um par com quem possa dividir suas angústias e seus prazeres, um amor. Sob diferentes olhares esse tema foi retratado infinitas vezes em todas as áreas artísticas. No caso do cinema não seria diferente.

Já no início do período clássico temos centenas de obras cujo tema principal é o amor e sua trajetória até o Happy End, momento em que os “pombinhos” se casam e vivem “felizes para sempre”. Essa estrutura característica dos romances burgueses do século XIX foi apropriada pelo cinema quase que no mesmo instante em que este se tornou narrativo. Trabalhada nos mais diversos gêneros, esse modelo consagrou-se dominando o imaginário popular. É interessante notar que assim o cinema acabou por reforçar a visão idealizada sobre o casamento dentro dos ideais judaico-cristãos.

No entanto, não demorou para que surgissem filmes cuja narrativa iria na direção oposta. O cinema moderno, recusando-se a enxergar o amor por essa ótica idealizada, apresentou uma proposta mais crua e complexa desse fenômeno que é a vida a dois. Essa é justamente a proposta da presente mostra do CINUSP “Paulo Emílio”, trazer à tona obras que problematizam a relação amorosa.

SINOPSES

Amor à Tarde (Amour l'après midi)

Direção: Eric Rohmer

País/Ano: França / 1972 - Duração: 97 minutos - Cor , 35mm

Elenco: Bernard Veley, Zouzou, Françoise Verley, Daniel Ceccaldi

Frédéric e Hélène são casados e levam uma pacata vida burguesa. Frédèric considera-se muito feliz ao lado da esposa, porém sonha acordado, todas as tardes, com outras mulheres, nunca cogitando concretizar seus sonhos. Em uma ocasião, conhece Chloe, que passa a visitá-lo no trabalho constantemente. À medida que Chloe tenta seduzir Frédèric, ele se encontra em meio a um dilema moral: trair ou não Hélène?

Domicílio Conjugal ( Domicile Conjugal)

Direção: François Truffaut

País/Ano: França / 1970 - Duração: 100 minutos - Cor, 35mm

Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer, Barbara Laage

Antoine e Christine são casados e vivem tranquilamente em Paris, após o nascimento do filho. Antoine começa a trabalhar em uma empresa, quando conhece Kyoto, uma jovem que se apaixona por ele. Kyoto seduz Antoine e Christine descobre a traição. Antoine vai morar com Kyoto, porém a relação se desgasta e Antoine tenta de todas as maneiras obter o perdão de Christine. Antoine sempre visita o filho e começa a se reaproximar de Christine.

5 x 2 – Amor em Cinco Tempos (5 x 2)

Direção: François Ozon

País / Ano: França / 2006 - Duração: 86 min - Cor, 35mm

Elenco: Valeria Bruni, Tadeschi, Stephane Freiss, Geraldine Pailhas

Todas as etapas do relacionamento de Marion e Gilles são apresentadas em cinco seqüências, partindo do divórcio até chegar ao momento em que os dois se conheceram. Ozon realiza um filme sobre o Amor: seu fim e início.

Eu sei que vou te amar

Direção: Arnaldo Jabor

País / Ano: Brasil / 1987 - Duração: 115 minutos - Cor, DVD

Elenco: Fernanda Torres, Thales Pan Chacon

Casal se reencontra após um ano de separação. Trancados em um apartamento, começam a remoer o passado e a descobrir as mentiras que um contava ao outro quando estavam juntos. As máscaras caem, surgem outras durante as discussões. A sessão de análise do casal é permeada pela atração e o amor que ainda resta um pelo outro.

Cenas de um casamento Parte I e Parte II ( Scener ur ett äktenskap)

Direção: Ingmar Bergman

País / Ano: Suécia / 1974 - Duração: 299 minutos - Cor , DVD

Elenco: Liv Ullmann, Erland Josephson, Bibi Andresson, Jan Malmsjö

Marianne e Johan são casados e possuem uma vida tranqüila. Certo dia, Johan diz a Marianne que vai embora pois está apaixonado por uma jovem de 23 anos. Os dois se separam, Johan sai do país. Meses depois, Johan rompe seu relacionamento com a jovem e retorna à Suécia, onde Marianne encontra-se em outro relacionamento. Johan e Marianne passam a manter encontros às enscondidas, mantendo sua cumplicidade.

A Noite ( La notte)

Direção: Michelangelo Antonioni

País / Ano: França, Itália / 1961 - Duração: 122 minutos - P&B , 35mm

Elenco: Jeanne Moreau, Marcello Mastroianni, Bernhard Wicki, Monica Vitti

Lídia e Giovanni refletem sobre seu casamento em uma noite de festas, andanças, encontros, flertes e traições.

A Estrada (La Strada)

Direção: Frederico Fellini

País / Ano: Itália / 1954 - Duração: 104 minutos - P&B , 35mm

Elenco: Giuletta Masina, Richard Baseheart, Anthony Quinn, Aldo Silvani

Gelsomina, jovem sonhadora e doce é vendida para Zampano, homem rude e amargo. Os dois viajam apresentando-se em várias cidades e Gelsomina passa a ajudar nos números de Zampano. Na estrada, em alguma de suas andanças, conhecem um equilibrista, que muda a vida dos dois.


GRADE DE PROGRAMAÇÃO


Segunda

05/05

Terça

06/05

Quarta

07/05

Quinta

08/05

Sexta

09/05

16h

Eu sei que vou te amar

5 x 2

A Noite

A Estrada

A Noite

19h

A Noite

Cenas de um casamento Parte I

5 x 2

Cenas de um casamento

Parte II

A Estrada


Segunda

12/05

Terça

13/05

Quarta

14/05

Quinta

15/05

Sexta

16/05

16h

Cenas de um casamento Parte I

Eu sei que vou te amar


Cenas de um casamento

Parte II

Amor à tarde

Domicílio Conjugal

19h

Amor à tarde


Domicílio Conjugal


Eu sei que vou te amar


Domicílio Conjugal


Amor à tarde

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária – PRCEU

CINUSP “Paulo Emílio”

Rua do Anfiteatro, 181 – colméia favo 37 (administração) – Favo 04 (projeção)

www.usp.br – cinusp@edu.usp.br

Fones: 3091-3540/3152 - fone/fax: 3091-3364

Entrada Franca - 100 lugares

Som Dolby Stéreo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Mãe e Filho - Alexander Sokúrov



"No meu entender... as pessoas vivem sem nenhum propósito específico. Mas morrem por um propósito específico” diz o filho à mãe. Sem dúvida, no século XX, muitos morreram pelos mais diversos propósitos.

O sentido último da vida é a vida em si e suas contradições insolúveis, a natureza e seus ciclos; a mãe que guiou o filho ao mundo, o filho que acompanha a mãe em sua agonia, o esforço doloroso de cada um em seus momentos mais importantes, não há nada mais importante e belo.

Obviamente, como não parece sê-lo a princípio, o trabalho deste cineasta tem um objetivo bem definido (e que não é a morte). Sokúrov, assim como a grande tradição “espitirualista” russa, é um crítico ferrenho de nossa contemporaneidade, nossa vida mecânica, agitada e cada vez mais desencantada. Como não poderia deixar de ser, surge aqui uma questão importante; que filhos hoje passam junto aos pais os minutos finais das vidas destes? Estamos cada dia mais condenados a uma morte asséptica em unidades de tratamento intensivo acompanhados por profissionais que muitas vezes ao menos sabemos o nome, pessoas as quais não sabemos que pratos preferem, do que não gostam de comer, se roncam quando dormem, ou se tem cócegas nos pés, ou se preferem a primavera ou o inverno...

A morte ideal (por que não a vida ideal?!) é aquela orgânica, fundida à natureza, mãe última a qual o homem deveria estar ternamente ligado, cercado por aqueles que carregam do mesmo sangue ou uma profunda simpatia espiritual, não aquela entre profissionais pagos para isso. Seria cômico, se não trágico, uma enfermeira esperando que um paciente morra depois do término de seu expediente, para lhe "poupar os nervos"...

A perfeita expressão dos anseios do artista encontra-se na beleza da imagem artística por este criada, para a qual categorias como forma e conteúdo tornam-se apenas categorias formais vazias de sentido e de vida; a arte busca pela verdade - não pela verdade científica ou teológica - busca por uma verdade que é até ultima instância, e apesar de tudo e de todos, bela. Neste ponto, ético e estético também tornam-se categorias sem sentido, pois fundem-se organicamente.



Em minha opinião a perspectiva inovadora – faço referência á plasticidade dos planos – esta que não é gratuita, pois como diria Tarkovski, um companheiro que precedeu Alexander; “Tudo o que há de novo na arte surgiu em resposta a uma necessidade espiritual”. O anseio de Sokúrov por aquilo que nos faz efetivamente humanos o levou a uma “deformação” do visual, tal como o vivenciamos no dia a dia, de modo a criar uma imagem artística organicamente viva e de extrema beleza, mesmo que moribunda e mórbida...

As constantes afirmações e comparações com as obras de pintores não fazem juz ao talento de Sokúrov.

Por outro lado, um pensamento vem me acompanhando, e acentuou-se enquanto assistia ao filme. Alguns artistas buscam os limites de sua arte e o que a distingue das outras, o próprio Tarkovski o faz durante seu livro todo, sempre dizendo que o cinema ainda não encontrara sua linguagem e que ele precisaria se distanciar e se libertar das outras artes, como a literatura, o teatro e a música[1], talvez, o que Tarkovski não tenha percebido – não sei sobre Sokurov - é que o que eles talvez buscaram e busquem seja algo como uma arte total, talvez seja esta a vocação do cinema, como a Arte Monumental de Kandinsky, não é pintura, não é música, literatura ou poesia, me pergunto – com uma provocação - seria cinema?



[1] Fato muito interessante é o fato de Tarkovski escrever um livro que se chama “ESCULPIR o Tempo”, tomando emprestado da escultura um termo que definiria a arte cinematográfica.


segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Mostra Paulo Emilio: Uma Homenagem



17 a 28 de setembro no CINUSP

Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977) foi escritor, crítico e professor de cinema da Universidade de São Paulo. Fundou o Clube de Cinema da Faculdade de Filosofia da USP nos anos 40, foi o responsável pela direção da filmoteca do MASP (que depois se transformaria na Cinemateca Brasileira) e organizou o primeiro curso de cinema no Brasil, em 1965, na Universidade de Brasília. Considerado um divisor de águas do pensamento cinematográfico no Brasil, Paulo Emilio configura-se como uma fundamental referência para a reflexão crítica da produção audiovisual brasileira.

Sabemos que, quando se torna muito técnica e específica, a crítica de arte corre o risco de apagar a riqueza da experiência artística, desvinculando-a da vida. Na crítica cinematográfica não devemos nos ater somente à técnica pela técnica, sem nos questionarmos como essa também se insere em um universo maior, ou seja, como ela se relaciona com a cultura, com a criatividade artística, e em última instância, com a própria vida. É justamente nessa forma de análise que se destaca Paulo Emilio. Suas críticas possuem um caráter subjetivo essencial e, de maneira muito fluída, envolvem todo o seu universo cultural, deixando vir à tona os próprios sentimentos que o cinema lhe proporciona.


É com o objetivo de reviver a crítica de Paulo Emilio, tão importante à história do cinema nacional, que a mostra “Paulo Emilio: Uma Homenagem” se faz pertinente neste ano em que se relembram os 30 anos de seu falecimento. Revisitar a sua crítica é, antes de tudo, reviver pontos altos da história do cinema através de um olhar profundo e sensível.



Sinopses e Trechos das Críticas de Paulo Emílio Salles Gomes


Paulo Emílio (Brasil - 1981) Dir. Ricardo Dias 1

Duração: 20 min. 35mm

Documentário de curta-metragem sobre Paulo Emílio, o filme evoca o contato do professor de Cinema Brasileiro com seus alunos e reconstitui situações de aula.

Tesouro Perdido (Brasil - 1927). Dir. Humberto Mauro.

Duração: 56 min. 16mm

Sinopse: É um filme mudo sobre os desencontros de dois irmãos criados órfãos de pai. Ao completarem a maioridade, cada um recebe a metade de um mapa de tesouro.

“A barreira de degradação fotográfica, que habitualmente se antepõe entre O Thesouro Perdido e o espectador atual, é aqui vencida pelo frescor das imagens que exprimem, além da natureza, algo de muito profundo em Humberto Mauro, um elemento muito preciso de sua personalidade que só bem mais tarde será dado conhecer melhor.” [...]

“A única coisa imperdoável de O Thesouro Perdido é o enredo.[...] O tesouro de O Thesouro Perdido parece imposto de fora com a intenção de dar importância e dramaticidade ao dia-a-dia trivial de uma humanidade comum, O conflito é importado de longe como se no ambiente bucólico para onde é transplantado não houvesse condições para a eclosão de qualquer luta: não é por acaso que em O Thesouro Perdido o tesouro acaba por ser rejeitado em benefício da permanência de valores extremamente convencionais mas artisticamente coerentes.” (EMILIO, P. Humberto Mauro, p.145 e p. 160, Cataguases, Cinearte. São Paulo, Perscpectiva, 1974)

Oharu – A Vida de uma Cortesã (Japão – 1952). Dir. Kenji Mizoguchi

Duração: 148 min. 16mm

Sinopse: Conta a história de Oharu, uma mulher que na sua juventude fazia parte da corte do Imperador, porém, por envolver-se com um homem de condições inferiores, sua vida muda, terminando como pedinte e cortesã.

“Só conheço bem um filme de Kenji mizoguchi, A Vida de O’Haru, mulher galante, e apesar de não o rever há cinco anos, não empalideceu a lembrança de seu esplendor plástico em branco e preto. Teoricamente é uma obra que teria muito contra si. Seu roteiro é constituído por uma meia dúzia de episódios bastante autônomos, tirados de um autor do século XVII, Ihara Saikaku. Além desse desafio à unidade, a história concentra na personagem principal, a mulher galante, um excesso de desgraças com intensidade excessiva e gosto duvidoso. Mas todos os defeitos potenciais de construção ou concepção são eclipsados pela qualidade intrínseca das imagens, por sua beleza de todos os instantes. A técnica de Mizoguchi consiste em conservar a câmera fixa por bastante tempo e fazer tomadas as mais longas possíveis, afim de dar o máximo de oportunidade aos meios de percepção do espectador. ‘Um filme’, declarou Mizoguchi, ‘deve ser outra coisa além da simples expressão psicológica’. Em última análise ele procura dar ao cinema os famosos ‘valores tácteis’, que Berenson considera a maior virtude da pintura.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, pp.180-81, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)


O Portal do Inferno. (Japão – 1953). Dir. S. Kinogasa

Duração: 89 min. 16mm

Sinopse: Na era Heian (794-1185), em meio à disputa entre inimigos do imperador e seus defensores, um samurai insiste em conquistar uma mulher casada.

“Ele [Kinugasa] não acredita na sincronização do som e da imagem. Essa deveria ser tratada como no cinema mudo, sendo função do som inculcar-lhe poesia e sentimento. O ideal de Kinugasa é realizar um dia um filme que seria a história de um homem vivendo à beira de um rio, cuja vida seria contada unicamente pelos temas dos sons. Essa idéia situa bem as preferências estéticas do realizador. Um filme deve ser uma variação de detalhes da natureza, de luzes, de sons, uma espécie de fuga de sensações em torno de um tema que em si mesmo não teria maior importância. Se Kinugasa nunca pode alcançar plenamente esses objetivos, por motivos comerciais evidentes, ele procura sempre deles aproximar-se. O rigoroso classicismo de A Porta do Inferno, que provocou tanta admiração no Ocidente e desconcertou o público japonês, foi até hoje a expressão máxima de fidelidade de Kinugasa a seus princípios estéticos.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p. 182, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

Noites de Cabíria (Itália – 1967) Dir. Federico Fellini

Duração: 110 min. 35mm

Sinopse: Esta obra de Fellini conta a história de Cabíria, uma prostituta de Roma que sonha em se casar e deixar a vida que leva, mas é obrigada a viver na marginalidade.

“Basicamente, o método do Fellini maduro e criador não é diferente do seu comportamento durante a irresponsável vagabundagem da juventude em Rimini. Num caso como no outro, ele solicita confusamente ao acaso esses momentos de aderência entre a fantasia e o concreto que são o ponto de partida de sua elaboração artística, isto é, de seu esforço pungente em dar forma e comunicação ao mundo dos valores espirituais e paramísticos que agitam o seu espírito.”

“Na realidade, a graça consiste na descoberta dentro de si próprio daquilo que permaneceu inato no meio das erosões provocadas pelo ato de viver e nada indica que as cerimônias religiosas sejam particularmente favoráveis à sua eclosão. Cabíria é fundamentalmente pura e não é numa romaria religiosa que a graça se manifesta mas no palco de um teatro de última classe, sob a ação de um mágico, diabo envelhecido e decadente. Essa seqüência é talvez a mais extraordinária de toda a obra felliniana.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p.436 e p.441, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

De Crápula a Herói (Itália - 1959) Dir. Roberto Rossellini

Duração: 126min. DVD

Sinopse: Durante a Segunda Guerra, um general impostor aproveita-se de seus compatriotas prometendo-lhes interceder a favor de seus familiares capturados por alemães. Quando sua farsa é descoberta o general é preso, porém, para se livrar da pena, aceita colaborar com a Gestapo.

“Il generale della Rovere [De crápula a Heró] persegue deliberadamente um triunfo de bilheteria. Mas nada disso impede que à luz das preocupações mais íntimas de Rossellini a sua última fita exprima o prolongamento harmonioso de uma meditação presente em toda sua obra. Minhas referências apóiam-se naturalmente nos filmes que conheço melhor, Paisà, Fracesco, L’amore e Europa 51, e em todos eles palpita a busca ansiosa de uma verdade de vida, de uma autenticidade moral. Em Il generale della Rovere a natureza da reflexão continua a mesma, porém desta vez através de algumas minuciosas descrições do funcionamento da mentira.”

“A mentira tem má reputação, mas é uma grande desconhecida. Um dos méritos de Il generale della Rovere é propor tarefas nesse terreno para as imaginações críticas. Crápula ou herói, a base do comportamento do principal personagem da fita é sempre a mentira. A prática do bem e do mal tem em comum um suporte de ficção.” [...]

“Acredito que uma reflexão metódica com ponto de partida em ilustrações fornecidas pelo filme poderia conduzir a uma avaliação mais justa do papel da mentira na constituição de uma realidade civilizada. São tantas as ocasiões em que a única forma de comunicação entre os seres é o exercício da mentira, seu papel como estofo, cimento e válvula é tão eminente que se torna impossível imaginar o mundo sem sua presença harmonizadora. Não há conflitos entre a mentira e a verdade. Elas são complementares e nada se acorda tão bem com a serena mentira como doses mitigadas de seu contrário.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.2, pp.241-42, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

P. E. Salles Gomes (Brasil - 1979) Dir. David E. Neves

Duração: 35 min. 16mm

Feito para a televisão educativa, este documentário apresenta trechos de filmes nacionais e estrangeiros e os ilustra com comentários do crítico Paulo Emílio. Contém ainda depoimentos de Décio de Almeida Prado, Antonio Candido, Jean-Claude Bernadet e outros.

O Grande Ditador (Estados Unidos - 1940) Dir. Charles Chaplin

Duração: 124 min. 35mm

Sinopse: Primeiro filme falado de Chaplin, nele Carlitos vive dois personagens: o ditador Adenoid Hynkel (numa referência óbvia a Hitler) e um barbeiro judeu, que acidentalmente é confundido com o chefe de Estado.

“A personagem de Chaplin na tela sofreu variações profundas com o decorrer do tempo. Os freqüentadores de retrospectivas se surpreendem, às vezes, em conhecer um Carlitos violento, mau e vulgar. [...] Ele afirma e impõe seus desejos e caprichos. Apesar das aparências, o Carlitos do futuro guardará muito desses traços, particularmente uma constante rebeldia potencial contra as convenções e pressões do mundo exterior. No Carlitos clássico, a vontade de poder se dilui numa aparente submissão e a crueldade se esconde atrás de uma covardia calculada. [...] Mas a crítica, André Bazin em primeiro lugar, reconhece facilmente a presença dos dois Carlitos, dissociados, em O Grande Ditador. E os empreendimentos macabros de Verdoux evocam, apesar da impecável elegância, a distante fúria do Carlitos dos primeiros tempos.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p.212, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

A Regra do Jogo (França – 1939) Dir. Jean Renoir

Duração: 110 min. DVD

Sinopse: Um influente parisiense promove uma festa em sua casa de campo. Alheia aos problemas do mundo, a rotina da burguesia francesa será mudada de repente.

“La régle du jeu [A Regra do Jogo], a última fita francesa [de Renoir] antes da partida para os Estados Unidos, fora distribuída algumas semanas antes do início da guerra, diante da mais total incompreensão da crítica e do público, no qual se incluía o autor deste artigo. Durante os anos da guerra conservei na memória apenas a seqüência, aliás extraordinária, de uma caçada. Faço essa confissão com certa vergonha, pois hoje La régle du jeu é para mim (e para muitos) não só a obra-prima de Renoir, mas o melhor filme francês e um dos melhores do mundo.”

“Com efeito, os primeiro críticos da fita, levados pelas idéias convencionais que haviam estabelecido em relação a Renoir, limitaram-se a ver em La régle du jeu uma sátira ao comportamento humano da classe dirigente francesa. Não há dúvida de que a regra do jogo é a mentira, é a hipocrisia necessária para o equilíbrio das relações entre membros de uma burguesia aristocratizada e alienada pelo lazer, e que a não observância da regra conduz a catástrofes. Mas esse é um lado do díptico, a metade da fita. Na outra, desenvolvida paralelamente e de igual importância, os personagens são os empregados cujo estatuto popular não impede que fiquem presos, tanto quanto os patrões, ao mecanismo impiedoso e desumanizador da regra. Os ecos sociais da fita são amortecidos por um pessimismo global e profundo em relação à natureza humana. Diferentemente, porém, de Stroheim, um dos seus mestres, Renoir tem simpatia por todos os personagens, suas falhas, hipocrisias e ridículos. [...] Renoir acumplicia-se com as razões de cada um, não julga individualmente ninguém, mas é ao mesmo tempo implacável com todos.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p.332 e p.335, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

A Linha Geral (União Soviética – 1928) Dir. Sergei M. Eisenstein

Duração: 96 min. DVD

Sinopse: Com o aparecimento da camponesa Marta, destacando-se na liderança sobre a massa, o filme dá uma reviravolta, embora o filme gire em torno da coletivização de uma aldeia de camponeses.

“A intenção consciente de Eisenstein era fazer ateísmo, porém o gosto pelas formas, o ritmo singular, com algo de dignidade e do esplendor de um cerimonial religioso, obtido pela montagem, e provavelmente sua fascinação latente pelo fenômeno do misticismo, dão à cena uma amplidão e uma ressonância que escapam certamente aos objetivos originalmente procurados. Acaba-se com a impressão curiosa de que, excetuando o padre, que é tratado de maneira irônica, todos – autor e personagens – comungam no êxtase.”

“A cena mais célebre do filme, a estréia da desnatadeira de leite, tem também alguma coisa de religiosa e ao mesmo tempo de erótica. Na União Soviética encorajava-se a dignificação artística dos objetos prosaicos portadores de progresso, mas Eisenstein foi além, tentando de certa forma dar uma aura sacra à batedeira mecânica de leite. Ele escreveria mais tarde: ‘Não é o Santo Graal que inspira a dúvida e o êxtase, mas uma desnatadeira.’” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p.225 e p.256, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)

Nascimento de Uma Nação. (Estados Unidos - 1915) Dir. D. W. Griffith

Duração: 187 min. DVD

Sinopse: Durante a Guerra Civil americana, o filme conta a saga de duas famílias, uma do norte e uma do sul. Obra considerada polêmica por seu conteúdo racista, já que coloca a Klu Klux Klan como importante no papel de insurreição do “estilo de vida” do sul após perder a guerra.

“Se considerarmos o cinema simultaneamente em seus diversos aspectos, como linguagem, arte, indústria e expressão social, Griffith é incontestavelmente a mais poderosa personalidade de toda a sua história. Ele foi o principal artesão das normas básicas do novo meio de expressão e o primeiro a utilizá-las com fluência e de forma coerente; entre seus filmes [...]; foi Nascimento de Uma Nação que despertou o interesse da alta finança pela nova indústria e a tomada de consciência pelas elites políticas e religiosas da América do poder do cinema em suscitar emoções e modelar a opinião.”

“Penso que a situação é clara. Como algumas de suas declarações o demonstram, Griffith reconhecia o valor artístico do filme, mas para ele pessoalmente o cinema era como uma das invenções miraculosas com que sonhara na juventude, capazes de enriquecer rapidamente um homem e dar-lhe em seguida tranqüilidade para realizar seu destino artístico.”

“Griffith só compreendeu seu destino quando este estava fundamentalmente realizado, isto é, por ocasião do lançamento de Nascimento de Uma Nação. Em última análise, a obra teve para o seu autor um papel semelhante ao que exerceu frente aos contemporâneos: revelar a grandeza do cinema.” (EMILIO, P. Crítica de Cinema no Suplemento Literário, v.1, p.361 e p. 365, Rio de Janeiro, Paz e Terra/ Embrafilme, 1982. 2vols.)





segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Basic Jazz












Mais um programa especial. Depois de um longo período de ausência, resolvi fazer um set só de pedradas jazzísticas com grandes clássicos da música norte-americana. Ressaltando que não houve uma intenção em delimitar estilos, seguir o desenvolvimento cronologicamente de forma linear, a única preocupação foi selecionar grandes instrumentistas e orquestras em seus períodos mais profícuos, mais nada.

Assim, começo com a mais pesada de todas as Big Bands, Count Basie e seus companheiros de várias noitadas em Kansas City, vale lembrar que uma das maiores lendas do jazz, Lester Young foi o sax tenor de Basie, refererência absoluta de dez entre dez saxofonistas de jazz, de Charlie Parker à Sonny Rollins e Coltrane, vale à pena notar o vigor dos seus solos arrasadores e sempre bem acompanhados por Basie. Para quem quiser se aprofundar mais, indico o filme de Robert Altman, Kansas City, onde vocês poderão acompanhar as noites conturbadas e quentes da cidade em questão, a trilha sonora do filme fica por conta de Count Basie Orchestra ( interpretada por excelentes músicos )que toca às noites todas no club subterrãneo da cidade. O filme trás ainda um duelo insano entre Lester Young e Coleman Hawkins, - a outra grande referência dos saxofonistas de jazz -, confronto este assistido por ninguém menos que um menino, cujo sobrenome é Parker e que logo viria a ser um dos maiores jazzman do século. A faixa que aqui apresento de Basie é Every Tub do álbum Basie Boogie.

Outro grande nome do Jazz, Duke Ellington, vem na seqüência, com grande sensibilidade e peso, Boo Dah é um estrondo suave e noturno que com solos metálicos compõem uma obra prima verdadeiramente moderna e norte-americana.

J. J. Johnson é representado aqui com a faixa Neo, com seu potente trombone é acompanhado por Harold Mabern no piano, Arthur Harper no baixo e Frank Gant na bateria. Neo é uma inegável evidência (Proof Positive) de que o jazz, a despeito das críticas acadêmicas, consolidou-se como um estilo autêntico e legítimo da música contemporânea.

Em seguida, uma faixa de um dos discos que considero um dos dez mais importantes da história do Jazz, a faixa é Dear Old Stokholm, o álbum é Round About Midnight e os interpretes; John Coltrane – sax tenor, Red Garland – piano, Paul Chambers – baixo e Philly Joe Jones na bateria, são liderados pelo mais sensível trompetista e bandleader da história do jazz , Miles Davis.

Já que Coltrane aparece na faixa anterior, nada melhor do que uma composição em que este aparece liderando seu próprio quarteto, em uma das suas fase mais profícuas e originais, Coltrane compõe Song of the Underground Railroad. Aqui a música é executada por Coltrane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Reggie Workman no baixo, Elvin Jones na bateria, e uma curiosidade todas as faixas deste álbum, The Complete Afrika/Brass Sessions, são conduzidas por Eric Dolphin.

Continuando nossa agradável viagem por esta estrada férrea e sinuosa jornada nos deparamos com outro mestre, Charles Mingus e uma pedrada atordoante, Boogie Stop Shuffle, com o peso e a exuberância única de Mingus que avança com ritmos inusitados. Infelizmente, não posso colocar o trabalho todo, mas fica aqui indicado outro disco fundamental do Jazz, Mingus Ah Hum, sua audição é obrigatória.

Agora quem se apresenta por meu intermédio é Sonny Rollins, um dos grandes saxofonistas dos 50-60. Um artista inquieto sempre recriando-se a si mesmo sem se diluir em suas recriações. Solos objetivos e swingados, espirituais e extrovertidos que apresentam um músico conseguindo equilibrar os mais antagônicos paradoxos. Acompanhado por músicos do porte de Max Roach na bateria, Tommy Flanagan no piano e Doug Watkins no baixo compreendemos que a música é uma linguagem capaz de estabelecer a comunicação e a sintonia entre almas de uma modo que possivelmente nenhuma outra linguagem pode fazer.

Finalizando, um dos nomes mais injustiçados da história do jazz, pouco reconhecido, morto jovem, talento precoce. Lee Morgan é um nome que rivalizaria com o próprio Miles davis, se este é agraciado com uma sensibilidade única, Lee Morgan é detentor de uma precisão inigualável. O brilho dos solos de trompete inconfundível foi apagado em 19 de fevereiro de 72, morto pela amante com um tiro no coração, morreu sobre o palco, sendo seu último sopro uma nota expelida pelo trompete. Aos 33 anos deixou um fértil legado que aos poucos estou conhecendo. Acompanhado por nomes como Wayne Shorter, sax tenor, Grant Green na guitarra e Herbie Hancock no piano criaram o álbum Search for the New Land, outra pérola recomendada a todos.

Bem, fico por aqui e espero que gostem da novidade, ficaria mais feliz ainda se deixassem suas opiniões e sugestões sobre um podcast, agradeço a visitae as sugestões.

Falou.

1. Count Basie – Every Tub
2. Duke Ellington - Boo Dah
3. J. J. Johnson – Neo (Proof Positive -
4. Miles Davis Quintet – Dear Old Sotckholm
5. John Coltrane Quartet – Song of the Underground Railroad
6. Charles Mingus – Boogie Stop Shuffle
7. Sonny Rollins – Strode Rode
8. Lee Morgan – Mr Kenyatta




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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Baixio das Bestas – Cláudio Assis


O esgoto como consciência.

O naturalismo dos filmes de Cláudio Assis tem em seu distanciamento conseqüências das mais inócuas. Para mim, as únicas apreensões possíveis sobre seu filme, o Baixio das Bestas, não podem ser positivas, e se ele se pretende realista ou naturalista, o resultado foge da realidade “do mundo” perdendo-se no “seu próprio mundo” imundo e grotesco.

Um desfilar de personagens inumanas e sem liberdade alguma, condicionados pelo calor e pela pobreza, esta não só material, mas também espiritual – e consequentemente moral. Neste mundo Auxiliadora é um mero instrumento que se efetiva - e se aliena - não só na relação com seu avô e com os marginais que se reúnem em um cinema falido, mas inclusive com o próprio diretor que a utiliza como uma mera ferramenta para “auxiliar” na exposição de seu mundo, uma existência absurda e impossível que não se sustenta ao final - o próprio diretor não a mata para não perder seu “auxílio”. Ele a utiliza de forma abusada, seja para chocar com a nudez ingênua e sensual, seja para fazer um filme, por incrível que pareça, politicamente correto de “denúncia social”. Seus meios são chocantes e fortes, suas intenções são simplórias. Me parece que muitas feministas defendem o filme afirmando que este “retrata a realidade da mulher brasileira”. Creio que nem mesmo Cláudio Assis quis expressar isto.

O cinema, não pode ser a vida, está restrito em seus próprios termos a fazer recortes. Poucos cineastas conseguem apreender o mundo e a partir da vida realizar obras de arte universais, a estes, só podemos nos referir como gênios, o que não é o caso - e creio que Cláudio Assis nem almeja em sê-lo.

Deste modo, generalizar o sentido deste filme com a situação da mulher no país seria um exagero, ter a consciência de que pessoas são escravizadas com violência até maior do que a apresentada no filme é fundamental para que possa haver justiça, generalizar a questão seria ideologizar o problema e torna-lo uma mera ferramenta para “auxiliar” as disputas desta natureza. Neste caso, Auxiliadora seria triplamente explorada; sexualmente, esteticamente e politicamente.

Consequentemente, creio que o filme não consegue levar à tomada de consciência do problema, a própria estrutura naturalista e determinista do filme impossibilita qualquer ação efetiva – os plongées colocam os personagens ora como que em um microscópio, ora como em labirintos de cobaias. Não há propostas, nem ao menos estéticas, a beleza da fotografia é gratuita, assim como sua violência. Não há intenções, não há soluções, Auxiliadora esta “destinada” à prostituição como sua mãe o fora – creio que mãe de Auxiliadora seja a prostituta morta pelos “marginais do cinema”. Não há redenção alguma. E neste aspecto Cláudio Assis chega a ser extremamente corajoso, porém, reconhecer isto não é compartilhar de suas opiniões e concepções.

Quanto à interpretação do filme como um “filme-denúncia” tenho a impressão de que ele falha, justamente por esconder a tão almejada realidade. Ele caricatura o mundo dividindo-o simplesmente entre o bem e o mal – onde o mal reina soberano, inclusive. Seus personagens não possuem vida espiritual, são maus, com algumas exceções também caricaturais, não existe outra possibilidade. Em minha opinião, e nesta compartilho das concepções de Dostoievski, ninguém é tão mal que não possa ser capaz de cometer um ato de amor e de compaixão, ninguém é tão bom que não possa compactuar, inconscientemente, com as mais nefastas ações. Não há verdade neste filme.

Deste modo, se há uma falha terrível nos processos socializantes, capazes de dar lugar aos mais abomináveis monstros e aos mais apáticos santos, há falhas também na concepção do filme em conceber personagens caricaturais tão hediondos e sem vida. Estes seres não são humanos, não comportam a ambigüidade subjacente a qualquer ser moral. Assim, o filme é apenas uma máquina de causar sensações nauseantes destinadas a satisfazer um público masoquista e que sai do cinema chocado por saber que estas coisas acontecem.

Por fim, um aspecto interessante do filme é a gangue de marginais de classe média que se encontram no cinema falido e abandonado. É interessante notar que a leva de produções pernambucanas contemporâneas tem-se prestado a pensar o cinema, sobretudo o cinema brasileiro. No caso de Baixio das Bestas, a frase do líder da gangue sobre o cinema é muito clara....”o bom do cinema é que a gente pode fazer o que quiser”, ou seja, seres que se julgam acima da moral e prostituem o cinema utilizando-o como meio para seus objetivos. Porém, a pergunta que ficou em minha cabeça é se este plot é um modo inconsciente do próprio Cláudio Assis apresentar suas desculpas e justificar as suas verdades.

sábado, 4 de agosto de 2007

RETROSPECTIVA DO CINEMA PERNAMBUCANO

Sei que vocês não vão querer perder esta...

CINUSP “Paulo Emílio” apresenta

06 a 24 de agosto de 2007

RETROSPECTIVA DO CINEMA PERNAMBUCANO

1993-2007


Apresentação

A presente retrospectiva foi motivada por um artigo de Luciana Veras sobre a atual produção do cinema pernambucano, publicado em junho de 2006 na Revista de Cinema. O artigo ressalta o vigor dessa produção, que culminava no momento em que, pela primeira vez, dois longas-metragens eram produzidos simultaneamente: Baixio das Bestas de Cláudio Assis, e Deserto Feliz de Paulo Caldas. E ainda fazia um rico panorama dos diversos diretores e curtas-metragens produzidos nas últimas duas décadas no estado.

O cinema pernambucano surgiu durante o cinema mudo, na década de 1920, quando se tornou um importante pólo produtor de filmes, período que ficou conhecido como Ciclo do Recife. Pertencem a esse ciclo alguns clássicos da cinematografia brasileira, como Aitaré da Praia e A Filha do Advogado, nos quais destacou-se o nome de Ari Severo, que foi ator e diretor de muitos dos filmes. No entanto, esse ciclo de produção foi encerrado com o advento do cinema sonoro, e durante anos, o cinema pernambucano esteve no ostracismo.

O atual momento vivido pelo cinema de Pernambuco, ao qual essa retrospectiva se dedica, teve início nos primeiros anos da década de 80. Foi quando alunos do curso de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) começaram a realizar curtas em Super-8, numa época em que Recife era carente de recursos cinematográficos profissionais, e estava totalmente marginalizada do eixo Rio-São Paulo de produção.

Foi por volta destes tempos que a professora do Depto. de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP, Vânia Debs – apontada por Lírio Ferreira como uma das “responsáveis” pelo cinema pernambucano – foi convidada para dar um workshop de montagem em Recife. Ali, ela conheceu a futura geração de cineastas locais e montou em seguida os primeiros curtas em bitolas 16 e 35mm de Paulo Caldas. Em seguida, ela trabalhou nos curtas de Lírio Ferreira, Cláudio Assis e Marcelo Gomes, passando a ser uma das principais montadoras do cinema pernambucano, montando posteriormente os longas de ficção de Paulo e Lírio.

Paralelamente, já nos anos 90, Recife viveu uma espécie de boom cultural, do qual fazia parte essa geração de cinema, mas em especial na cena musical, que viu surgir o movimento do manguebeat nos instrumentos e vozes de Chico Science, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Fred 04. Foi quando finalmente estourou o primeiro longa pernambucano desse ciclo, Baile Perfumado, dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira. O filme, sobre o mascate Abraão que registrou em cinema as únicas imagens em movimento de Lampião e Maria Bonita, teve sua trilha musical composta por Science, sintetizando passado histórico com o então presente cultural. A obra tomou de assalto o Festival de Brasília de 1997, de onde saiu como principal vencedor, impressionando o público e o júri com seu vigor

Depois de Baile Perfumado, outros cinco longas produzidos em Pernambuco foram lançados até hoje, e todos alcançaram grande sucesso em festivais, junto ao público e à crítica. Amarelo Manga, de Cláudio Assis e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes são os filmes que acumularam o maior público nos cinemas brasileiros e ainda foram premiados em festivais no Brasil e no exterior.

Entretanto, entendemos que para fazer uma retrospectiva completa do cinema pernambucano contemporâneo é essencial que, além dos longas, também sejam exibidos uma parcela dos curtas mais significativos produzidos no mesmo período, para dar um panorama da base de formação desse cinema e desses cineastas. E ainda expandir essa percepção, exibindo curtas dirigidos por outros importantes colaboradores, como Adelina Pontual, e Hilton Lacerda, este roteirista de quatro dos cinco longas de ficção aqui exibidos. Além de uma amostra dos que há de mais recente na produção do estado, que revelaram nomes de uma nova geração, como Eric Laurence, Kleber Mendonça Filho e Cláudio Cavalcante, que em breve irá dirigir seu primeiro longa.

A possibilidade de assistir a esses filmes em conjunto pode ser muito enriquecedora, pois, apesar da pluralidade de gêneros, estilos e temáticas, parecem existir qualidades comuns a todos eles. A que mais chama a atenção, sem dúvida, é a vontade de formação de uma cinematografia própria, de seu estado e país, em que o resgate cultural, histórico e às tradições populares são buscados como elementos de construção de uma identidade.

É possível ainda que se revelem semelhanças temáticas e estéticas. Em o Baixio das Bestas as imagens do maracatu rural lembram as vistas no curta de Marcelo Gomes Maracatu, Maracatus e a abordagem realista da violência contra a mulher se coloca próxima à alegoria criada sobre o mesmo tema no premiado curta, Entre Paredes, de Eric Laurence. Percebemos ainda nos filmes a recorrência da cine-biografia, e o retrato do sertão, do agreste e da zona da mata, em contraste com a realidade excludente da metrópole recifense.

Esperamos assim oferecer ao público do CINUSP “Paulo Emílio” uma mostra relevante e diversificada, estimulando a difusão e a percepção da relevância do curta-metragem como bem cultural e de expressão, e do cinema como uma arte popular.

Victor A. Biagioni


LONGAS:

Baile Perfumado, Lírio Ferreira e Paulo Caldas (1997)

Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, Paulo Caldas e Marcelo Luna (2000)

Amarelo Manga, Cláudio Assis (2003)

Cinemas, Aspirinas e Urubus, Marcelo Gomes (2005)

Árido Movie, Lírio Ferreira (2006)

Baixio das Bestas, Cláudio Assis (2007)


SESSÃO DE CURTAS I:

That’s a Lero-Lero, Lírio Ferreira e Amin Stepple (1994)

Soneto do Desmantelo Blue, Claudio Assis (1993)

Maracatu, Maracatus, Marcelo Gomes (1995)

Texas Hotel, Cláudio Assis (1997)

Conceição, Heitor Dhalia (1999)

Êxito de Rua, Cecília Araújo (2004)


SESSÃO DE CURTAS II:

Clandestina Felicidade, Beto Normal e Marcelo Gomes (1998)

Simião Martiniano – O Camelô do Cinema, Hilton Lacerda e Clara Angélica (1998)

O Pedido, Adelina Pontual (1999)

O Mundo é uma Cabeça, Bidu Queiróz e Cláudio Barroso (2005)

Rapsódia para um Homem Comum, Camilo Cavalcante (2005)


SESSÃO DE CURTAS III:

O Homem da Mata, Antonio Luiz Carrilho (2005)

A História da Eternidade, Camilo Cavalcanti (2001)

Entre Paredes, Eric Laurence (2005)

Vinil Verde, Kleber Mendonça Filho (2004)

Eletrodomésticas, Kleber Mendonça Filho(2005)


PROGRAMAÇÃO:


1ª Semana

16h

19h

06/08 07/08 08/08 09/08 10/08

Amarelo Manga

Baile Perfumado

Baile Perfumado

Amarelo Manga

Sessão de Curtas I

Baile Perfumado

Amarelo Manga

Sessão de Curtas I

Baile Perfumado

Amarelo Manga





2ª Semana

16h

19h

13/08 14/08 15/08 16/08 17/08

Cinema, Aspirinas e Urubus

Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas

Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas

Cinema, Aspirinas e Urubus

Sessão de Curtas II

Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas

Cinema, Aspirinas e Urubus

Sessão de Curtas II

Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas

Cinema, Aspirinas e Urubus





3ª Semana

20/08 21/08 22/08 23/08 24/08

16h

19h

Baixio das Bestas

Árido Movie

Árido Movie

Baixio das Bestas

Sessão de Curtas III

Árido Movie

Baixio das Bestas

Sessão de Curtas III

Árido Movie

Baixio das Bestas


SINOPSES – LONGAS

AMARELO MANGA

Brasil, 2002, 35mm, 100 min

Direção: Cláudio Assis

Elenco: Matheus Nacthergaele, Jonas Torres, Dira Paes, Chico Diaz e Leona Cavalli.

Sinopse

Guiados pela paixão, os personagens desse filme vão penetrando num universo feito de armadilhas e vinganças, de desejos irrealizáveis, da busca incessante da felicidade. O universo aqui é da vida-satélite e dos tipos que giram em torno de órbitas próprias, colorindo a vida de um amarelo hepático e pulsante. Não o amarelo do ouro, dos brilhos e das riquezas, mas o amarelo do embaçamento do dia-a-dia, e do envelhecimento das coisas postas. Uma amarelo-manga, farto.

* Melhor Filme – 35º Festival de Brasília


ÁRIDO MOVIE

Brasil, 2006, 35mm, 115 min

Direção: Lírio Ferreira

Elenco: Guilherme Weber, Giulia Gam, Selton Mello, Gustavo Falcão, Mariana Lima, Matheus Nacthergaele, José Dumont, Renata Sorrah e Paulo César Pereio

Sinopse

Jonas é o repórter do tempo de uma grande rede de TV, que mora em São Paulo mas está rumo à sua cidade-natal, localizada no interior do nordeste. O motivo é a morte de seu pai, com quem teve pouquíssimo contato e que foi assassinado inesperadamente. Jonas enfrenta problemas para chegar à cidade, até que recebe carona de Soledad, uma videomaker que está fazendo um documentário sobre a água no sertão. Ao chegar ele encontra uma parte da família a qual não conhecia até então, que lhe cobra que se vingue da morte do pai.

* Melhor Filme – Cine PE Festival de Recife


BAILE PERFUMADO

Brasil, 1997, 35mm, 93 min

Direção: Paulo Caldas e Lírio Ferreira

Elenco: Duda Mamberti, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Jofre Soares, Cláudio Mamberti e Giovana Gold.

Sinopse
Amigo íntimo do Padre Cícero, o mascate libanês Benjamin Abrahão decide filmar Lampião e todo seu bando, pois acredita que este filme o deixará muito rico. Após alguns contatos iniciais ele conversa diretamente com o famoso cangaceiro e expõe sua idéia, mas os sonhos do mascate são prejudicados pela ditadura do Estado Novo.

* Melhor Filme – 30º Festival de Brasília


BAIXIO DAS BESTAS

Brasil, 2006, 35mm, 80 min

Direção: Cláudio Assis

Elenco: Mariah Teixeira, Fernando Teixeira, Caio Blat, Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Marcélia Cartaxo e Hermila Guedes.

Baixio das Bestas é o lugar símbolo das confluências humanas. Uma tosca idéia de possibilidades. Um pobre conceito de riqueza. Nesse cenário se passa a história de Auxiliadora, uma menina de 13 anos explorada pelo velho avô, seu Heitor, um moralista ambíguo, que em tudo vê falta de autoridade, mas ganha dinheiro explorando sua neta. Por sua vez, Cícero, um jovem de uma conhecida família local, assiste ao drama de Auxiliadora e cria por ela uma paixão insustentável. Do enfrentamento de seu Heitor e Cícero será decidido o destino de Auxiliadora.

* Melhor Filme – 39º Festival de Brasília


CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

Brasil, 2005, 35mm, 99 min

Direção: Marcelo Gomes

Com: Peter Ketnath, João Miguel e Hermila Guedes

Sinopse

Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann, alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho, um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

* Seleção Oficial Un Certain Regard – Festival de Cannes


RAP DO PEQUENO PRÍNCIPE CONTRA AS ALMAS SEBOSAS

Brasil, 2000, 35mm, 75 min

Direção: Paulo Caldas e Marcelo Luna

Documentário

Sinopse

Dois jovens, um justiceiro e um músico, vivem num universo de violência. Helinho, 21 anos, conhecido como "Pequeno Príncipe", é acusado de matar 65 bandidos no município de Camaragibe, periferia do Grande Recife. Garnizé, 26 anos, componente da banda de rap Faces do Subúrbio, militante político e líder comunitário em Camaragibe, usa a cultura para enfrentar a difícil sobrevivência na periferia. Os dois são os opostos e ao mesmo tempo iguais na condição de filhos de uma guerra social silenciosa, que é travada diariamente nos subúrbios das grandes cidades brasileiras. Cada um reage a sua maneira.


SESSÃO DE CURTAS I – 84 minutos


THAT’S A LERO LERO
Brasil, 1995,16mm, 16 min

Direção: Lírio Ferreira e Amin Stepple.

Elenco: Bruno Garcia e Aramis Trindade.

Sinopse: Em julho de 1942, o cineasta Orson Welles desembarca no Recife para filmar a cidade e fazer uma grande festa com os intelectuais locais.


SONETO DO DESMANTELO BLUE
Brasil, 1993, 35mm, 8 min

Direção: Cláudio Assis.

Elenco: Henrique Amaral, Maria Vasconcelos, Virgínia Cavendish.

Sinopse: Fragmentos da vida e obra do poeta pernambucano Carlos Pena Filho.


MARACATU, MARACATUS
Brasil, 1995, 35mm, 14 min

Direção: Marcelo Gomes.

Sinopse: As diferenças culturais entre as várias gerações de integrantes do Maracatu rural, ritual afro-indígena que tem suas origens nos engenhos de açúcar de Pernambuco.


TEXAS HOTEL

Brasil, 1999, 35mm,14 min

Direção: Cláudio Assis.

Elenco: Jaison Wallace.

Sinopse: O que acontece enquanto a vaca vai e vem.


CONCEIÇÃO

Brasil, 1999, 35mm, 17 min

Direção: Heitor Dhalia.

Co-Direção: Renato Ciasca.

Elenco: Aramis Trindade, Claudio Assis, Magdale Alves, Mônica Pantoja.

Sinopse: Duas prostitutas se apaixonam por vestidos de noiva numa vitrine e pedem que dois bandidos os roubem.


ÊXITO DE RUA

Brasil, 2004, 35mm, 15 min

Direção: Cecília Araújo.

Sinopse: Movimento, vida, cinema, revolução, música, hip-hop, grafitagem, break, MCs, DJs, VJs, conscientização política, transformação social, desobediência civil: Êxito D´ Rua.


SESSÃO DE CURTAS II – 85 minutos

CLANDESTINA FELICIDADE
Brasil, 1998, 35mm, 14 min
Direção: Beto Normal e Marcelo Gomes.

Sinopse: Fragmentos da infância da escritora Clarice Lispector, em Recife, 1929. Sua paixão pela leitura, seu olhar curioso e perplexo, a descoberta do mundo.


SIMIÃO MARTINIANO, O CAMELÔ DO CINEMA

Brasil, 1998, 35mm,14 min

Direção: Hilton Lacerda, Clara Angélica.

Sinopse: A história de Simião Martiniano, homem que divide seu tempo entre os ofícios de camelô e cineasta.


O PEDIDO

Brasil, 1999, 35mm, 15 min

Direção: Adelina Pontual.

Elenco: Geninha da Rosa Borges, Hermylla Guedes, Jones Melo, Alcir Lacerda.

Sinopse: Num velho casarão, uma velha senhora e sua jovem afilhada preparam-se para receber uma misteriosa visita que realizará um antigo desejo.


O MUNDO É UMA CABEÇA

Brasil, 2005, 35mm, 17 min

Direção: Bidu Queiroz, Cláudio Barroso.

Sinopse: O Manguebeat é um movimento que eclodiu no início dos anos 90 em Pernambuco. E o filme mostra essa história e a trajetória do seu principal protagonista: Chico Science.


RAPSÓDIA PARA UM HOMEM COMUM

Brasil, 2005, 35mm, 25 min

Direção: Camilo Cavalcante.

Elenco: Cláudio Jaborandi, Jones Melo, Magdale Alves.

Sinopse: Epaminondas é um funcionário público classe média baixa no início da década de 70. Um homem comum, pai de família, que tem o dia-a-dia cercado por compromissos burocráticos e já não agüenta mais a rotina banal a que está submetido.


SESSÃO DE CURTAS III – 77 minutos

O HOMEM DA MATA

Brasil, 2004, 16mm, 19 min

Direção: Antonio Luiz Carrilho.

Elenco: José Borba, Simião Martiniano, Jones Melo, Lourival Batista, Hermylla Guedes, Soraia, Nerisvaldo, Jonathans Nino, Gilvan, Trio Sabugo de Milho, Diogo Almeida.

Sinopse: José Borba da Silva, ator, canavieiro, cantor, pai-de-santo e artista da cultura popular, interpreta Jack, o vingador justiceiro, super-herói defensor dos trabalhadores da Zona da Mata Atlântica do Nordeste do Brasil.


A HISTÓRIA DA ETERNIDADE

Brasil, 2003, 35mm, 10 min

Direção: Camilo Cavalcante.

Elenco: Adriana Maciel, Charles Franklin, Cosme "Prezado" Soares, Geraldo Pinho, Iracema Almeida, João Ferreira, Júlio Verçosa, Marco Camaroti, Nerisvaldo Alves, Nina Militão, Roberta Alves, Seba Alves, Valdir Nunes, Vanessa Suedy.

Sinopse: A História da Eternidade é um falso plano-sequência que pretende conduzir o espectador a uma viagem dentro dos instintos humanos, através de uma linguagem poética e metafórica.


ENTRE PAREDES

Brasil, 2004, 35mm, 15 min

Direção: Eric Laurence

Elenco: Hermyla Guedes, Servílio de Hollanda.

Sinopse: Possessividade, desejo, paranóia e culpa são sentimentos obscuros numa relação amorosa, onde o medo da perda e a desconfiança podem destruir a vida ou levar à loucura.


O VINIL VERDE

Brasil, 2004, 35mm, 13 min

Direção: Kleber Mendonça Filho.

Elenco: Gabriela Souza, Ivan Soares, Verônica Alves.

Sinopse: Mãe dá a Filha uma caixa cheia de velhos disquinhos coloridos. A menina pode ouvi-los, exceto o vinil verde.


ELETRODOMÉSTICAS

Brasil, 2005, 35mm, 22 min

Direção: Kleber Mendonça Filho

Elenco: Gabriela Souza, Magdale Alves, Pedro Bandeira.

Sinopse: Classe média, anos 90, 220 Volts.


Universidade de São Paulo

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